Patrimônio Cultural

Um elo com a memória do nosso passado

O primeiro patrimônio cultural de Miraí se confunde com a própria história de fundação do povoado que deu origem ao município. Em 1852, 53 cafeicultores que representavam a elite econômica da época, adquiriram uma área de dez alqueires de terra da Fazenda Três Barras para construção da Igreja Matriz de Santo Antônio, que ficou pronta em 1900 tornando-se o núcleo do arraial que mais tarde foi chamado de Brejo, significado de Miraí em tupi-guarani. Ao redor do Largo da Matriz, como ficou conhecido o centro histórico de Miraí, o pequeno povoado foi crescendo movido pela riqueza dos cafezais. Até meados de 1921, embora já contasse com energia elétrica desde 1913, o Largo da Matriz era repleto de terrenos vazios onde animais andavam soltos, meninos jogavam futebol e os circos armavam tendas.

Naquele ano, sob a liderança do advogado Dr. Miguel Alves Pereira, recém-formado e de retorno à cidade, foi formada uma comissão de obras para angariar donativos a fim de construir um jardim no centro do povoado, praça que hoje leva o seu nome. A inauguração ocorreu em 31 de dezembro de 1921, inclusive com iluminação de energia elétrica de quatro postes colocados no local pela Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina. O jornal O MIRAHY, em sua edição nº 28, noticiou: "... intenso o movimento de Senhoritas e Cavaleiros que compareceram à abertura do Jardim recentemente criado na espaçosa Praça da Matriz. Cerca das sete horas da noite, a luzida Banda de Música dirigida pela competência do Maestro Pedro Sérgio, deu entrada no mesmo, executando belos dobrados, que imensamente agradaram a todos os presentes. Foram postados vários bancos no Jardim, sendo que dois enviados pela Câmara, um doado pela Farmácia de Aristides Ferreira, outro pelos funcionários do Posto de Profilaxia, outro pelo Bar São José, de Lincoln Moreira e José Magalhães, e um outro pelos Irmãos Debiaze".

Um pouco antes, na noite de Natal do mesmo ano, era inaugurado na parte alta da Praça da Matriz o Cine Theatro Mirahy, obra que ficou a cargo do construtor Francisco Domingos, com capacidade para 400 espectadores. Este prédio, que hoje carece de reforma para retomar as suas características originais, compõe o Patrimônio Cultural do Conjunto Arquitetônico da Praça Dr. Miguel Pereira, tombado em 2014 pelo Decreto Municipal nº 53, que reuniu sete imóveis que já haviam sido tombados individualmente em 2005 por meio do Decreto Municipal nº 90, todos com influência do estilo eclético neoclássico e que espelham a imponência em que Miraí nasceu.

Em 1929, a vida social se tornou intensa com a inauguração do Clube Mirahy, o mais arrojado prédio construído pela elite cafeeira da época. De rara beleza, o imóvel que abriga atualmente a sede do Banco do Brasil na cidade, também integra o Conjunto Arquitetônico da Praça Dr. Miguel Pereira, ao lado do sobrado do antigo Bar do Português (e também do movimentadíssimo Bar Victória) e de mais dois outros imóveis da mesma linhagem arquitetônica.

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Além de sua belíssima arquitetura, o Patarimônio Cultural de Miraí é ainda mais enriquecido pelo nome de Ataulfo Alves, um dos maiores sambistas e compositor da música popular brasileira. Ataulfo nasceu em Miraí em 1909 indo para o Rio de Janeiro aos 18 anos, onde alcançou o sucesso e a fama e projetou Miraí para todo o país e até o exterior através de sua canção Meu pequenino Miraí, na qual escreveu um verso que mostra toda a sua riqueza poética: "eu era feliz e não sabia". Acesse a página de Ataulfo Alves clicando AQUI.